A Caridade
Adolfo, Bispo de Argel
Eu
sou a Caridade.
Em
nada me assemelho à caridade cujas práticas seguis.
Aquela
que entre vós usurpou o meu nome é fantasista, caprichosa, exclusiva,
orgulhosa;
venho
vos prevenir contra os defeitos que, aos olhos de Deus, diminuem o mérito e o
brilho de suas boas ações.
Sede
dóceis às lições que o Espírito de Verdade vos dá por minha voz.
Segui-me, meus fiéis:
eu sou a Caridade.
Segui-me.
Conheço
todos os infortúnios, todas as dores, todos os sofrimentos, todas as aflições
que assediam a Humanidade.
Sou
a mãe dos órfãos, a filha dos idosos, a protetora e sustentáculo das viúvas;
penso
as chagas infectadas;
curo
todas as doenças;
dou
roupas, pão e um abrigo aos que não os tem;
subo
às mais miseráveis águas-furtadas, às mais humildes mansardas;
bato
à porta dos ricos e poderosos, porque, onde quer que viva uma criatura humana,
sempre existirá, sob a máscara da felicidade, as mais amargas e acerbas dores.
Oh!
quão grande é a minha tarefa!
Não
poderei cumpri-la se não vierdes em meu auxílio.
Vinde a mim:
eu sou a Caridade.
Não
tenho preferência por ninguém.
Jamais
digo aos que necessitam de mim: “Tenho os meus pobres; procurai alhures.”
Oh!
falsa caridade, quantos males provocas!
Amigos,
nós nos devemos a todos.
Crede-me:
não recuseis vossa assistência a ninguém;
socorrei-vos
uns aos outros com bastante desinteresse para não exigir nenhum reconhecimento
de parte dos que tiverdes socorrido.
A paz do coração e da consciência é a doce recompensa de minhas obras:
eu sou a
verdadeira Caridade.
Ninguém
conhece na Terra o número e a natureza de meus benefícios.
Só a
falsa caridade fere e humilha aqueles a quem alivia.
Acautelai-vos
contra esse funesto desvio;
as
ações desse gênero não têm nenhum mérito perante Deus e atraem sobre vós a sua
cólera.
Só
Ele deve saber e conhecer os generosos impulsos de vossos corações quando vos
tornais os dispensadores de seus benefícios.
Guardai-vos, pois, amigos, de dar publicidade à prática da assistência mútua;
não
mais lhe deis o nome de esmola.
Crede em mim:
eu sou a Caridade.
Tenho
tantos infortúnios a aliviar que muitas vezes fico com o colo e as mãos vazios;
venho
dizer-vos que espero em vós.
O
Espiritismo tem por divisa Amor e Caridade;
e
todos os verdadeiros espíritas quererão, no futuro, conformar-se a esse sublime
preceito pregado pelo Cristo há dezoito séculos.
Segui-me,
pois, irmãos;
eu
vos conduzirei ao reino de Deus, nosso pai.
Eu
sou a Caridade.
Adolfo,
Bispo de Argel
FONTE
FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet. org.br/site/ indiceGeralDeRevistas/ verArtigo.php?CodArtigo=409& Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s.Acesso: 18 JUN 2021


