sábado, 10 de outubro de 2026

A Esperança - Felícia

 

 


A Esperança 

 Felícia

 

Meu nome é esperança.


 Sorrio à vossa entrada na vida; 


sigo-vos passo a passo e não vos deixo senão nos mundos onde para vós se realizam as promessas de felicidade, incessantemente murmuradas aos vossos ouvidos.

 

 Sou vossa fiel amiga; 


não repilais minhas inspirações: eu sou a Esperança.

 

 Sou eu que canto pela voz do rouxinol e que faço ecoar nas florestas essas notas lamentosas e cadenciadas que vos fazem sonhar com o céu;

 

 sou eu que inspiro à andorinha o desejo de aquecer os seus amores no abrigo de vossas moradas;

 

 brinco na brisa ligeira que acaricia os vossos cabelos;

 

 espalho aos vossos pés o suave perfume das flores dos vossos jardins, e quão pouco pensais nessa amiga que vos é tão devotada!

 

 Não a repilais: é a Esperança.

 

Tomo todas as formas para me aproximar de vós.

 

 Sou a estrela que brilha no azul; 


o cálido raio de sol que vos vivifica;

 

 embalo as vossas noites com sonhos alegres;

 

 expulso para longe as negras preocupações e os pensamentos sombrios;

 

 guio os vossos passos para a senda da virtude;

 

 acompanho-vos nas visitas aos pobres, aos aflitos, aos moribundos e vos inspiro palavras afetuosas, que consolam.

 

 Não me repilais: eu sou a Esperança!

 

 Eu sou a esperança!

 

 Sou eu que, no inverno, faço crescer na casca dos carvalhos o musgo espesso com que os passarinhos constroem seus ninhos;

 

 sou eu que, na primavera, coroo a macieira e a amendoeira de flores brancas e rosas e as espalho sobre a terra como uma juncada celeste, que faz aspirar aos mundos felizes;

 

 sobretudo estou convosco quando sois pobres e sofredores;

 

 minha voz ressoa incessantemente aos vossos ouvidos.

 

 Não me repilais: eu sou a Esperança.

 

 Não me repilais, porque o anjo do desespero me faz uma guerra obstinada e se consome em vãos esforços para tomar o meu lugar junto de vós.

 

 Nem sempre sou a mais forte e, quando ele consegue me afastar, vos envolve com as suas fúnebres asas, desvia os vossos pensamentos de Deus e vos arrasta ao suicídio.

 

 Uni-vos a mim para afastar sua funesta influência e vos deixai embalar docemente em meus braços, porque eu sou a Esperança.

 

Felícia, Filha do médium

 

FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=409&Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s. Acesso: 18 JUN 2021.

 

# Esperança# Felícia#DoutrinaEspírita#Mensagem#Reflexão


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A Fé George - Bispo de Périgueux



A Fé

Georges, Bispo de Périgueux


Sou a irmã mais velha da Esperança e da Caridade;


chamo-me Fé.

 

Sou grande e forte.

 

Aquele que me possui não teme nem o ferro, nem o fogo:

 

é à prova de todos os sofrimentos físicos e morais.


Irradio sobre vós com um facho cujos jatos cintilantes se refletem no fundo de vossos corações e vos comunico a força da vida.

 

Dizem, entre vós, que transporto montanhas; eu, porém, vos digo:

 

Venho erguer o mundo, porquanto o Espiritismo é a alavanca que me deve auxiliar. 


Uni-vos a mim; 


venho convidar-vos: sou a Fé.

 

Sou a Fé!

 

Moro com a Esperança, a Caridade e o Amor no mundo dos Espíritos Puros.

 

Muitas vezes deixei as regiões sublimadas e vim à Terra para vos regenerar, dando-vos a vida do Espírito.

 

Mas, excetuando os mártires dos primeiros tempos do Cristianismo e, de vez em quando, alguns fervorosos sacrifícios ao progresso da ciência, das letras, da indústria e da liberdade, só encontrei entre os homens indiferença e frieza, retomando tristemente o meu voo para o céu.

 

Julgais-me em vosso meio, mas vos enganais, porque a Fé sem obras é um simulacro de Fé.

 

A verdadeira Fé é vida e ação.

 

Antes da revelação espírita a vida era estéril; 


era uma árvore que, ressequida pelos raios, não produzia nenhum fruto.

 

Reconhecem-me por meus atos:

 

ilumino as inteligências, aqueço e fortaleço os corações; 


afasto para longe de vós as influências enganosas e vos conduzo a Deus pela perfeição do espírito e do coração.

 

Vinde abrigar-vos sob a minha bandeira; sou poderosa e forte:

 

eu sou a Fé.

 

Sou a Fé e o meu reino começa entre os homens;

 

reino pacífico, que os tornará felizes no presente e na eternidade.

 

A aurora do meu advento entre vós é pura e serena;

 

seu sol será resplandecente e seu crepúsculo virá docemente embalar a Humanidade nos braços de eternas felicidades.

 

Espiritismo!

 

Derrama sobre os homens o teu batismo regenerador.

 

Eu lhes faço um apelo supremo: 


eu sou a Fé.

 

Georges, Bispo de Périgueux


FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=409&Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s. Acesso: 18 JUN 2021.

 

Fé#DoutrinaEspírita#Febnet#Artigo#Mensagem

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Francisco de Assis : O Menestrel de Deus - Alessandro Viana Vieira de Paula

 




Francisco de Assis : O Menestrel de Deus

 Alessandro Viana Vieira de Paula

 

Refletir sobre a trajetória de Francisco de Assis é mergulhar em uma das biografias mais belas e transformadoras da humanidade. 


Conhecido carinhosamente como o "Menestrel de Deus" — apelido carinhoso que traduz sua alma de poeta e cantor da simplicidade —, sua vida transcende os limites do tempo e das fronteiras religiosas, oferecendo lições profundas de amor, paz e renovação espiritual.

 

Com base nos registros da Doutrina Espírita e na inspiradora análise publicada na revista O Consolador (assinada por Alessandro Viana Vieira de Paula), trazemos um panorama rico e inspirador sobre este espírito sublime que iluminou a Idade Média e continua a nos guiar.

 


1. As Raízes Espirituais: De João Evangelista a Francisco


Na obra Dias Venturosos, o espírito Amélia Rodrigues, através da mediunidade de Divaldo Franco, revela que Francisco de Assis é a reencarnação de João Evangelista, um dos mais íntimos e dedicados apóstolos de Jesus.

 

O Discípulo Amado: João conviveu com o Cristo desde a juventude, escreveu um dos Evangelhos fundamentais do Novo Testamento e foi o único dos discípulos a desencarnar de forma natural.

 

A Mensagem da Reencarnação: Foi em seu Evangelho que ficou registrada a conversa entre Jesus e Nicodemos, onde o Mestre enfatiza a necessidade de "nascer de novo" — confirmando a veracidade e a importância da reencarnação na evolução humana.

 

O Retorno no Século XII: Com uma personalidade gentil e amorosa, aquele espírito de escol retorna ao mundo físico em Assis, em uma época marcada pela miséria moral e pelo distanciamento dos ensinamentos cristãos.

 



2. A Renovação do Cristianismo e o Encontro com o Papa


Naquela Idade Média, a Igreja Católica encontrava-se profundamente atrelada ao luxo temporal e indiferente ao sofrimento popular. 


Jesus, então, convidou Francisco a "reconstruir a Sua Igreja".

 

A princípio, Francisco interpretou o chamado de forma literal, dedicando-se a reerguer a igrejinha de São Damião. 


Rapidamente, porém, compreendeu o sentido maior: o verdadeiro templo a ser reerguido era o coração humano, através da prática viva da caridade e do amor ao próximo.


Renúncia Total: Renunciando à riqueza de sua família, Francisco reuniu amigos e peregrinou até o Palácio de Latrão, em Roma, para encontrar o Papa Inocêncio III. Embora tenha encontrado o pontífice imerso em pompa e diplomacia — recebendo apenas uma bênção protocolar —, isso não diminuiu seu ímpeto de servir.

 

Amor aos Desprezados e à Natureza: Francisco passou a dedicar sua existência aos marginalizados da época, como os hansenianos, e nutria uma simbiose impressionante com a natureza, amando profundamente os animais e os vegetais, que pareciam corresponder ao seu carinho.

 


3. O Método da Contestação Franciscana


Uma das lições mais atuais deixadas por Francisco de Assis, muito bem destacada pelo espírito Camilo na obra A Carta Magna da Paz (psicografia de Raul Teixeira), diz respeito à sua forma de lidar com os erros e injustiças do mundo: a contestação pelo bem.

 

Sem Violência: Francisco discordava profundamente dos rumos da sociedade e dos desvios eclesiásticos, mas nunca recorreu à violência, à crítica agressiva, ao anátema ou à acidez verbal.

 


Criar o Novo: Em vez de maldizer os ricos, ele optou por viver com os pobres. Em vez de romper violentamente com a Igreja equivocada, passou a viver em seu bojo toda a luz aprendida no Evangelho. Em vez de instigar lutas de classes, propôs condições de vida onde qualquer antagonismo perdia o sentido.

 

"Neste período de transição planetária, o vigor do exemplo pessoal, da fidelidade ao evangelho terá mais efeito do que discursos e palavras."

 


4. A Prece da Paz e o Corpo Frágil


A célebre oração atribuída a Francisco de Assis — “Senhor, faze de mim um instrumento da tua paz” — sintetiza uma decisão íntima e intransferível. 


Conforme aponta a literatura espírita, dizer "faze de mim" é um ato de voluntariado da alma, e buscar ser "um instrumento" significa somar forças coletivamente, e não se colocar como o salvador solitário.

 

Apesar de ter um corpo frágil, ter contraído malária e hanseníase, enfrentado a cegueira e severos jejuns, Francisco suportou tudo com serenidade sublime. Ao desencarnar em 4 de outubro de 1226, deixou suas últimas e marcantes palavras:

 


"Fiz o que me cabia... 

Que Cristo vos ensine o que vos cabe."

Francisco de Assis

 


Legado e Continuidade


Após sua passagem pela Terra, Francisco continuou sua abnegada tarefa no plano espiritual, auxiliando na expansão da Doutrina Espírita e integrando a constelação de espíritos nobres que patrocinaram a Codificação Espírita ao lado de seu antigo apostolado como João Evangelista.