sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Berço - Emmanuel

 


Berço

Emmanuel


Excetuando-se os planos organizados para as obras especiais, em que Espíritos missionários senhoreiam as reservas fisiológicas para a criação de reflexos da Vida Superior entre os homens, impelindo-os a maior ascensão, todo berço de agora retrata o ontem que passou.


O caminho que iniciamos em determinada existência é o prolongamento dos caminhos que percorremos naquelas que a precederam.


Esfalfa-se a investigação científica na Terra, estudando o continuísmo biológico.


Núcleos de cromossomos e veículos citoplásmicos, fatores de ambiente e genealogias familiares são chamados pelos geneticistas à equação dos problemas da origem e é natural que de suas indagações surjam resultados notáveis, quais sejam aqueles que tangem aos caracteres morfológicos e às surpresas da adaptação.


O escalpelo da observação humana, porém, não consegue, por agora, ultrapassar o recinto externo da constituição orgânica, detendo-se no exame da conformação e da estatura, da pigmentação e do grupo sanguíneo, alusivos à filiação corpórea, já que os meandros da hereditariedade psíquica são, por enquanto, quase que integralmente inacessíveis à sondagem da inteligência terrestre.


E que as células germinais, por sementes vivas, reproduzem os nossos clichês da consciência no trabalho impalpável da formação de um corpo novo.


Na câmara uterina, o reflexo dominante de nossa individualidade impressiona a chapa fetal ou o conjunto de princípios germinativos que nos forjam os alicerces do novo instrumento físico, selando-nos a destinação para as tarefas que somos chamados a executar no mundo, em certa quota de tempo.


Nisso não vai qualquer exaltação ao determinismo absoluto, porque ninguém pode suprimir o livre-arbítrio, com o qual articulamos as causas de sofrimento ou reparação em nossos destinos, dentro do determinismo relativo em que marchamos para mais altas formas de emoção e pensamento, na conquista da liberdade suprema.


Pelo transe da morte física, regressamos à Vida Maior com a soma de realizações que nem sempre são aquelas que deveramos efetuar. 


Em muitas circunstâncias, as imagens trazidas da permanência na carne são fantasmas temíveis, nascidos de nossas próprias culpas, exigindo reajuste e pagamento, a modelarem para os nossos sentidos o inferno torturante em que se nos revolvem as queixas e aflições.


Eis, porém, que a Justiça Fiel, por misericórdia, nos concede o retorno para a bênção do reinício. 


Retomamos, assim, através do berço, o contato direto com os nossos credores e devedores para a liquidação dos débitos que contraímos, cujo balanço efetivo jaz devidamente contabilizado nas Leis Divinas.


É desta maneira que comumente renascemos na Terra, segundo as nossas dívidas ou conforme as nossas necessidades, assimilando para esse fim a essência genética daqueles que se nos afinam com o modo de proceder e de ser.


Os problemas da hereditariedade, em razão disso, descendem, de forma

geral, dos reflexos mentais que nos sejam próprios.


Em verdade, por vezes, abnegados corações, cultivando a leira do amor pelo sacrifício, trazem a si corações desditosos, guardando transitoriamente, nos braços, monstruosas aberrações que destoam do elevado nível em que já se instalaram; 


contudo, devemos semelhantes exceções ao espírito de renúncia com que fazem emergir das regiões infernais velhos laços afetivos, distanciados no tempo, usando o divino atributo da caridade.


De conformidade com a regra, porém, nosso berço no mundo é o reflexo de nossas necessidades, cabendo a cada um de nós, quando na reencarnação, honrá-lo com trabalho digno de restauração, melhoria ou engrandecimento, na certeza de que a ele fomos trazidos ou atraídos, segundo os problemas da regeneração ou da mordomia de que carecemos na recomposição de nosso destino, perante o futuro.

 

XAVIER , Francisco Cândido Xavier ditado pelo Espírito Emmanuel.  Pensamento e vida.Cap.10, p. 19,20.  Imagem Reproduzida da Internet.

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Entendimento -Emmanuel

 


Entendimento

Emmanuel

 

O cultivador do campo não prescinde do arado com que sulcará o corpo da gleba.


O estatuário recorrerá ao buril para afeiçoar o mármore à ideia criadora que lhe inflama a cabeça.


A criatura interessada na produção de reflexos mentais protetores de sua senda não dispensará o entendimento por alicerce do trabalho renovador.


Entendimento que simbolize fraternidade operante.


Simpatia que se converta em fulcro de força atrativa, exteriorizando-nos a melhor parte, para que a melhor parte dos outros se exteriorize ao nosso encontro.


Todos somos compulsoriamente envolvidos na onda mental que emitimos de nós, em regime de circuito natural.


Categorizamo-nos bons ou maus, conforme o uso de nossos sentimentos e pensamentos, que, no fundo, constituem cargas de energia eletromagnética, com as quais ferimos ou acalentamos, ajudamos ou prejudicamos, vitalizamos ou destruímos, e que voltam, invariavelmente, a nós mesmos, impregnadas dos recursos felizes ou infelizes com que lhes marcamos a rota.


Quando coléricos e irritadiços, agressivos e ásperos para com os outros, criamos por atividade reflexa o desalento e a intemperança, a crueldade e a secura para nós mesmos, e, quando generosos e compreensivos, prestimosos e úteis para com aqueles que nos cercam, criamos, consequentemente, a alegria e a tranquilidade, a segurança e o bom ânimo para nós próprios.


Responde-nos a vida em todas as coisas e em todas as criaturas, segundo a natureza de nosso chamamento.


Até o ingresso na Consciência Cósmica, todos os seres se distinguem pela face de luz com que se alteiam para os cimos da evolução e pela face de sombra pela qual ainda sofrem a influência da retaguarda.


A própria posição vulgar do homem na Terra vale por símbolo dessa condição específica. 


Por cima o fulgor pleno do Sol, por baixo a escuridade do abismo.


Todos recolhemos do Pai Celeste os estímulos ao futuro e todos padecemos os reflexos do passado a se nos projetarem sobre a existência.


Desatando, assim, as algemas do mal que nós mesmos forjamos em detrimento de nossas almas, há que buscar o bem, senti-lo, mentalizá-lo e plasmá-lo com todos os potenciais de realização ao nosso alcance.


Para começar, precisaremos separar o criminoso da criminalidade, como o lavrador que estabelece diferença entre o verme e a plantação, para abolir o domínio do primeiro e enriquecer a utilidade da segunda. 


E assim como o trabalhador rural extingue a praga, salvando a lavoura, é necessário que o nosso entendimento improvise meios de auxiliar o companheiro que caiu sob o guante da delinquência, sem alentá-la.


Apequenar-se para ajudar, sem perder altura, é assegurar a melhoria de todos, acentuando a própria sublimação.


Entretanto, só o culto infatigável do entendimento pode garantir-nos o equilíbrio indispensável no serviço de autoburilamento em que devemos empenhar os nossos melhores sonhos, de vez que apenas o amor puro é capaz de criar em nossa mente a energia da luz divina, a expandir-se de nós em reflexos de protetora renovação.


XAVIER , Francisco Cândido Xavier ditado pelo Espírito Emmanuel.  Pensamento e vida. 9, p. 17,18.  Imagem Reproduzida da Internet.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Sugestão - Emmanuel

 


Sugestão 

Emmanuel


Comenta-se o fenômeno da sugestão mental, qual se fora privativo de gabinetes magnéticos específicos, mobilizando-se hipnotizadores e hipnotizados, à conta de taumaturgos.


Grasset, o eminente neurologista da escola de Montpellier, chega a classificar as sugestões em duas categorias: 


as intra hipnóticas, que se efetuam no curso do sono provocado, e 


- as pós-hipnóticas, que se realizam além do despertar.


Entretanto, a sugestão é acontecimento de toda hora, na vida de todos os seres, com base na reflexão mental permanente.


Dela se apropriou com mais empenho a magia, que, significando o governo das forças ocultas, tem sido, antes de tudo, o clima de todas as cerimônias religiosas na Terra, cerimônias essas em que se conjugam as forças de poderosas mentes encarnadas e desencarnadas, gerando sucessos que impressionam a mente popular, disciplinando-lhe os impulsos.


Força mental pura e simples, carreando a ideia por imagem viva, a sugestão, como a eletricidade, o explosivo, o vapor e a desintegração atômica, não é boa nem má, dependendo os seus efeitos da aplicação que se lhe confere. 


Temo-la, assim, não apenas no altar da oração e nos símbolos sagrados do serviço religioso, aconselhando a virtude e o progresso ao coração do povo, mas também nos espetáculos deprimentes dos ritos bárbaros e na demagogia de arrastamento, ressumando o psiquismo inferior que inspira a licenciosidade e a rebelião.


Nossas emoções, pensamentos e atos são elementos dinâmicos de indução.


Todos exteriorizamos a energia mental, configurando as formas sutis com que influenciamos o próximo, e todos somos afetados por essas mesmas formas, nascidas nos cérebros alheios.


Cada atitude de nossa existência polariza forças naqueles que se nos afinam com o modo de ser, impelindo-os à imitação consciente ou inconsciente.


É que o princípio de repercussão nos comanda a atividade em todos os passos da vida.


A escola é um lar de iniciação para as almas que começam as lides do burilamento intelectual, constituindo, simultaneamente, um centro de reflexos condicionados para milhões de espíritos que reencarnam para readquirir pelo alfabeto o trabalho das próprias conquistas na esfera da inteligência.


Com o auxílio dos múltiplos instrutores que nos guiam da cátedra e da tribuna, pelo livro e pela imprensa, retomamos no mundo a nossa realidade psíquica, determinada pela soma de nossas aquisições emocionais e culturais no passado, com a possibilidade de mais ampla educação da vontade para o devido ajustamento à Vida Superior.


Somos hoje, deste modo, herdeiros positivos dos reflexos de nossas experiências de ontem, com recursos de alterar-lhes a direção para a verdadeira felicidade.


Auxiliando a outrem, sugerimos o auxilio em nosso favor. 


Suportando com humildade as vicissitudes da senda regenerativa, instilamos paciência e solidariedade, para conosco, em todos aqueles que nos rodeiam.


Ajudando, ajudamo-nos.


Desservindo, desservimo-nos.


Por intermédio da sugestão espontânea, plantamos os reflexos de nossa individualidade, colhendo-lhes os efeitos nas individualidades alheias, como semeamos e obtemos no mundo o cânhamo e o trigo, a cenoura e a batata.


Somos, assim, responsáveis pela nossa ligação com as forças construtivas do bem ou com as forças perturbadoras do mal.


XAVIER , Francisco Cândido Xavier ditado pelo Espírito Emmanuel.  Pensamento e vida. Cap. 9, p. 15,164.  Imagem Reproduzida da Internet.