domingo, 11 de outubro de 2026

A Caridade - Adolfo, Bispo de Argel

 


A Caridade 


Adolfo, Bispo de Argel

 

Eu sou a Caridade.


Em nada me assemelho à caridade cujas práticas seguis.


Aquela que entre vós usurpou o meu nome é fantasista, caprichosa, exclusiva, orgulhosa;


venho vos prevenir contra os defeitos que, aos olhos de Deus, diminuem o mérito e o brilho de suas boas ações.


Sede dóceis às lições que o Espírito de Verdade vos dá por minha voz.

Segui-me, meus fiéis: 


eu sou a Caridade.


Segui-me.


Conheço todos os infortúnios, todas as dores, todos os sofrimentos, todas as aflições que assediam a Humanidade.


Sou a mãe dos órfãos, a filha dos idosos, a protetora e sustentáculo das viúvas;


penso as chagas infectadas;


curo todas as doenças;


dou roupas, pão e um abrigo aos que não os tem;


subo às mais miseráveis águas-furtadas, às mais humildes mansardas;

 

bato à porta dos ricos e poderosos, porque, onde quer que viva uma criatura humana, sempre existirá, sob a máscara da felicidade, as mais amargas e acerbas dores.


Oh! quão grande é a minha tarefa!


Não poderei cumpri-la se não vierdes em meu auxílio.


Vinde a mim: 


eu sou a Caridade.


Não tenho preferência por ninguém.


Jamais digo aos que necessitam de mim: “Tenho os meus pobres; procurai alhures.”


Oh! falsa caridade, quantos males provocas!


Amigos, nós nos devemos a todos.


Crede-me: não recuseis vossa assistência a ninguém;


socorrei-vos uns aos outros com bastante desinteresse para não exigir nenhum reconhecimento de parte dos que tiverdes socorrido.


A paz do coração e da consciência é a doce recompensa de minhas obras: 


eu sou a verdadeira Caridade.


Ninguém conhece na Terra o número e a natureza de meus benefícios.


Só a falsa caridade fere e humilha aqueles a quem alivia.


Acautelai-vos contra esse funesto desvio;


as ações desse gênero não têm nenhum mérito perante Deus e atraem sobre vós a sua cólera.


Só Ele deve saber e conhecer os generosos impulsos de vossos corações quando vos tornais os dispensadores de seus benefícios.


Guardai-vos, pois, amigos, de dar publicidade à prática da assistência mútua;


não mais lhe deis o nome de esmola.


Crede em mim: 


eu sou a Caridade.


Tenho tantos infortúnios a aliviar que muitas vezes fico com o colo e as mãos vazios;


venho dizer-vos que espero em vós.


O Espiritismo tem por divisa Amor e Caridade;


e todos os verdadeiros espíritas quererão, no futuro, conformar-se a esse sublime preceito pregado pelo Cristo há dezoito séculos.


Segui-me, pois, irmãos;


eu vos conduzirei ao reino de Deus, nosso pai.


Eu sou a Caridade.



Adolfo, Bispo de Argel


FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet. org.br/site/  indiceGeralDeRevistas/ verArtigo.php?CodArtigo=409& Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s.Acesso: 18 JUN 2021


sábado, 10 de outubro de 2026

A Esperança - Felícia

 

 


A Esperança 

 Felícia

 

Meu nome é esperança.


 Sorrio à vossa entrada na vida; 


sigo-vos passo a passo e não vos deixo senão nos mundos onde para vós se realizam as promessas de felicidade, incessantemente murmuradas aos vossos ouvidos.

 

 Sou vossa fiel amiga; 


não repilais minhas inspirações: eu sou a Esperança.

 

 Sou eu que canto pela voz do rouxinol e que faço ecoar nas florestas essas notas lamentosas e cadenciadas que vos fazem sonhar com o céu;

 

 sou eu que inspiro à andorinha o desejo de aquecer os seus amores no abrigo de vossas moradas;

 

 brinco na brisa ligeira que acaricia os vossos cabelos;

 

 espalho aos vossos pés o suave perfume das flores dos vossos jardins, e quão pouco pensais nessa amiga que vos é tão devotada!

 

 Não a repilais: é a Esperança.

 

Tomo todas as formas para me aproximar de vós.

 

 Sou a estrela que brilha no azul; 


o cálido raio de sol que vos vivifica;

 

 embalo as vossas noites com sonhos alegres;

 

 expulso para longe as negras preocupações e os pensamentos sombrios;

 

 guio os vossos passos para a senda da virtude;

 

 acompanho-vos nas visitas aos pobres, aos aflitos, aos moribundos e vos inspiro palavras afetuosas, que consolam.

 

 Não me repilais: eu sou a Esperança!

 

 Eu sou a esperança!

 

 Sou eu que, no inverno, faço crescer na casca dos carvalhos o musgo espesso com que os passarinhos constroem seus ninhos;

 

 sou eu que, na primavera, coroo a macieira e a amendoeira de flores brancas e rosas e as espalho sobre a terra como uma juncada celeste, que faz aspirar aos mundos felizes;

 

 sobretudo estou convosco quando sois pobres e sofredores;

 

 minha voz ressoa incessantemente aos vossos ouvidos.

 

 Não me repilais: eu sou a Esperança.

 

 Não me repilais, porque o anjo do desespero me faz uma guerra obstinada e se consome em vãos esforços para tomar o meu lugar junto de vós.

 

 Nem sempre sou a mais forte e, quando ele consegue me afastar, vos envolve com as suas fúnebres asas, desvia os vossos pensamentos de Deus e vos arrasta ao suicídio.

 

 Uni-vos a mim para afastar sua funesta influência e vos deixai embalar docemente em meus braços, porque eu sou a Esperança.

 

Felícia, Filha do médium

 

FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=409&Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s. Acesso: 18 JUN 2021.

 

# Esperança# Felícia#DoutrinaEspírita#Mensagem#Reflexão


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

A Fé George - Bispo de Périgueux



A Fé

Georges, Bispo de Périgueux


Sou a irmã mais velha da Esperança e da Caridade;


chamo-me Fé.

 

Sou grande e forte.

 

Aquele que me possui não teme nem o ferro, nem o fogo:

 

é à prova de todos os sofrimentos físicos e morais.


Irradio sobre vós com um facho cujos jatos cintilantes se refletem no fundo de vossos corações e vos comunico a força da vida.

 

Dizem, entre vós, que transporto montanhas; eu, porém, vos digo:

 

Venho erguer o mundo, porquanto o Espiritismo é a alavanca que me deve auxiliar. 


Uni-vos a mim; 


venho convidar-vos: sou a Fé.

 

Sou a Fé!

 

Moro com a Esperança, a Caridade e o Amor no mundo dos Espíritos Puros.

 

Muitas vezes deixei as regiões sublimadas e vim à Terra para vos regenerar, dando-vos a vida do Espírito.

 

Mas, excetuando os mártires dos primeiros tempos do Cristianismo e, de vez em quando, alguns fervorosos sacrifícios ao progresso da ciência, das letras, da indústria e da liberdade, só encontrei entre os homens indiferença e frieza, retomando tristemente o meu voo para o céu.

 

Julgais-me em vosso meio, mas vos enganais, porque a Fé sem obras é um simulacro de Fé.

 

A verdadeira Fé é vida e ação.

 

Antes da revelação espírita a vida era estéril; 


era uma árvore que, ressequida pelos raios, não produzia nenhum fruto.

 

Reconhecem-me por meus atos:

 

ilumino as inteligências, aqueço e fortaleço os corações; 


afasto para longe de vós as influências enganosas e vos conduzo a Deus pela perfeição do espírito e do coração.

 

Vinde abrigar-vos sob a minha bandeira; sou poderosa e forte:

 

eu sou a Fé.

 

Sou a Fé e o meu reino começa entre os homens;

 

reino pacífico, que os tornará felizes no presente e na eternidade.

 

A aurora do meu advento entre vós é pura e serena;

 

seu sol será resplandecente e seu crepúsculo virá docemente embalar a Humanidade nos braços de eternas felicidades.

 

Espiritismo!

 

Derrama sobre os homens o teu batismo regenerador.

 

Eu lhes faço um apelo supremo: 


eu sou a Fé.

 

Georges, Bispo de Périgueux


FONTE

FEBNET. Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/site/indiceGeralDeRevistas/verArtigo.php?CodArtigo=409&Palavra=Virtudes%20irm%C3%A3s. Acesso: 18 JUN 2021.

 

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