segunda-feira, 19 de julho de 2021

66-O DESPERTADOR - Casimiro Cunha

 


66-O DESPERTADOR


Casimiro Cunha


O relógio é o grande amigo na vida da criatura; acompanha-lhe a viagem desde o berço à sepultura.


Metódico, dedicado, movimentando os ponteiros, marca os risos infantis e os gemidos derradeiros.


Revela oportunidades, mostra a bênção do minuto, indica tempo à semente, como indica tempo ao fruto.


Mas de todos os relógios que atendem cheios de amor é justo salientar o amigo despertador.


Quando alguém dorme ao cansaço, ele vibra, ajuda e vela, ritmando o tique-taque, tem coisas de sentinela.


Na hora esperada e justa, pontual, invariável, chama à luta o companheiro em bulha desagradável.


O seu barulho interrompe o repouso desejado, acorda-se quase à força, levanta-se estremunhado.


Mas, somente ao seu apelo, há lembrança dos serviços, buscando-se incontinenti a zona dos compromissos.


Assim, na vida comum, nas lutas de redenção, todo o tempo é precioso em qualquer situação.


Mas o tempo que nos fere, em provas, serviço e dor, é o melhor de todos eles, é o nosso despertador.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 66 p.67.

 

domingo, 18 de julho de 2021

65-O CUPIM - Casimiro Cunha

 

 


65-O CUPIM

Casimiro Cunha


Causa pena olhar o campo quando pobre de verdura, sofre a terra a intromissão do cupim que a desfigura.


Debalde a vegetação se estende em ramaria, o solo não apresenta a mesma fisionomia.


O cupim obstinado multiplica-se em rebentos, parece que o chão se cobre de tumores pustulentos.


Em vão, a chuva convida às forças de produção, debalde o Sol traz a luz de paz e renovação.


Não faltam bênçãos do Céu que atendam aos dons da vida, mas a terra permanece desolada e ressequida.


O cupim vai provocando estrago, calamidade, e o campo mostra ruínas, miséria, esterilidade.


Às vezes são necessários muito esforço, muitas dores, por expulsar a família dos insetos invasores.


Sem trabalhos decididos por parte da agricultura, o cupim transforma a terra numa extensa sepultura.


Lembremos, vendo esse quadro da esfera dos lavradores, as almas avassaladas de ideias inferiores.


Sê forte em qualquer trabalho, cada luta é uma lição.


Tristezas e desalentos são cupins no coração.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha.Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 65, p.66.

 

 

sábado, 17 de julho de 2021

64- O CIPÓ- Casimiro Cunha

 

 


64- O CIPÓ

Casimiro Cunha


Sobre a árvore frondosa que mostra calma infinita, abraçada ao tronco forte lá se vai o parasita.


Não atinge o cerne, a seiva, mas buscando a copa, as flores, enrodilha-se, teimoso, nas cascas exteriores.


Agarrado tenazmente, vai subindo vagaroso, alcançando o cume verde do arbusto generoso.


Aboletados nos cimos do castelo de verdura, o cipó audacioso aparenta grande altura.


Deita flores opulentas de expressão parasitária, avassalando a nobreza da árvore centenária.


Recebe os beijos do sol, embala-se na ternura da carícia perfumosa, da brisa mais alta e pura.


Mas, vem o dia em que o Pai, na lei de renovação, chama o tronco nobre e velho as bênçãos da mutação.


É aí que o cipó vaidoso demonstra o que não parece, voltando ao pó do chão duro, para as zonas que merece.


Quanta gente brilha ao alto, e, no fundo, inspira dó?


Há milhões de criaturas vivendo como o cipó.


Jamais olvides a lei de trabalho e obrigação, não queira mostrar-te ao alto à custa do teu irmão.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza.São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 64, p.65.