terça-feira, 3 de agosto de 2021

81-O OÁSIS - Casimiro Cunha

 


81-O OÁSIS


Casimiro Cunha


Em torno, o despovoado, os lençóis de areia ardente...


O viajor vive o seu drama doloroso e comovente.


Nenhuma vegetação, nem a benção de uma fonte, o quadro é desolador, embora a luz do horizonte.


Cansado de sede e fome, sofre e sua, sonha e chora, desde a aurora rutilante às promessas de outra outrora.


Pede em vão, suplica a esmo, no auge das aflições, guardando na alma ansiedades, angústias, recordações.


O vento levanta a areia, desfigurando as paisagens, e o pobre sorri chorando na carícia das miragens.


Concentra-se, avança mais, quase morto de alegria; contudo, desfaz-se a tela dos planos da fantasia. arrasta-se amargamente, ralado de desventura, mas, na última esperança, surge um canto de verdura.


É o oásis que o Senhor, atento à nossa viagem, mandou para os caminheiros que persistam na coragem.


Nos trabalhos deste mundo, em rumo obscuro, incerto, muita vez encontrarás inclemências do deserto.


Deus vela. 


Prossegue a luta, sem lamento, sem gemido...


Atingirá, talvez hoje, o oásis desconhecido. 


XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 81, p.82.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

80-O MILHARAL - Casimiro Cunha

 


80-O MILHARAL

Casimiro Cunha


O milharal nos parece, do caminho que o sol doura, uma esperança de Deus sobre as bênçãos da lavoura.


Além disso, representa uma elevada oficina, da nobre lei do trabalho que o Pai de Amor nos ensina.


Deus dá tudo: a terra, o ar, as chuvas e os instrumentos, indicando o tempo próprio com a força dos elementos.


Manda o homem, que é seu filho, cuidar da terra que é sua e esse filho convocado guia o traço da charrua.


Germina a semente amiga, mas até que dê seus frutos, exige muitos cuidados, constantes e absolutos.


Em seguida, o céu concede a espiga amada e perfeita, pedindo as dedicações nas tarefas da colheita.


Vem logo a descascadura, depois o debulhador, e o moinho em movimento nas lides do lavrador.


Somente agora o celeiro guarda as forças do bom grão, a esperança carinhosa da véspera de seu pão.


É um ensino generoso que a leira de milho encerra, um quadro de exemplo amigo, das lutas de toda a Terra.


Deus palpita em toda a parte, nada faz ou cria a esmo, mas pede em tudo a seu filho a elevação de si mesmo.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 80, p.81.

 

 

domingo, 1 de agosto de 2021

79-O MÁRMORE - Casimiro Cunha



 79-O MÁRMORE

Casimiro Cunha


No gabinete isolado dos serviços de escultura, há muita coisa que ver com a vida da criatura.


O mármore chega em bloco dos centros da Natureza, em trânsito para o campo do espírito e da beleza.


É pedra, vai ser tesouro; é rude, vai ser divino; todavia, não se sabe quando chega ao seu destino.


Golpe aqui, golpe acolá, o artista começa a luta, é o sonho maravilhoso amando a matéria bruta.


As arestas vão caindo...


É a carícia do martelo, desponta o primeiro traço vigoroso, firme e belo.


O cinzel fere e desbasta, e, às vezes, pede o formão.


O artista prossegue atento dando vida à criação.


Golpes fundos, ferimentos...


Mas, eis quando se aproxima o termo do esforço longo na aquisição da obra prima.


Depois, é a joia formosa, de valor alto e profundo, que as fortunas de milhões não podem fazer no mundo.


Esse mármore da Terra, no fundo, é qualquer pessoa, o artista, é o tempo, e o cinzel, a luta que aperfeiçoa.


Quando os golpes de amargura te cortarem o coração, recorda o cinzel divino que dá forma e perfeição.

 

XAVIER, Francisco Cândido pelo Espírito Casimiro Cunha. Cartilha da natureza. São Paulo/SP:Butterflay editora Ltda,2002, ed.1. Cap 79, p.80.