domingo, 4 de fevereiro de 2024

Não Suportaram - Emmanuel




 Não Suportaram

Emmanuel


Mal - será sempre engano, erro, desequilíbrio, desajuste. 


E para recuperar-lhe convenientemente as vítimas, a primeira atitude é a do entendimento que nasce da compaixão.


Assim sucede porque a queda moral, no fundo, significa extravasamento da carga de emoções e ideias negativas que criamos em nós.


***

Quando anotes a presença de companheiros caídos em perturbação, reflete, sobretudo, no esforço imenso que despenderam para suportar a pressão dos próprios conflitos na intimidade da cela carnal em que provisoriamente residem.


Este reencarnou para resgatar antigos débitos perante inimigos de outras épocas cuja convivência lhe cabia tolerar por alguns poucos decênios. 


Entretanto, por algum tempo, aguentou em si próprio o impacto das vibrações contrárias que o contato difícil lhe causava e, embora sem razão, volveu ao campo da ofensa, reincidindo na culpa.


Aquele tornou à Terra a fim de reajustar-se em ambiente de penúria material, de modo a corrigir tendências à dissipação e ao desmando. 


Todavia carregou o fardo de obstáculos em certo trecho do caminho, até que, sem motivo justo para rebeldia, derivou para a deserção e remorsos consequentes.


Outro veio de novo ao Plano Físico a fim de operar a própria desvinculação de hábitos infelizes, após solicitar situações regenerativas em auxílio de si mesmo. No entanto, depois de algum trabalho em auto reeducação, admitiu-se portador de imaginário cansaço e retornou aos costumes lastimáveis de outros tempos, adquirindo arrependimentos de longo prazo.


Outros ainda pediram graves provas na Terra para se afastarem das induções ao suicídio, em cujas sombras se demoraram em estâncias do pretérito. 


Mas, finda certa quota de aflições, impacientam-se com o peso dos problemas com que se oprimem e destroem o próprio corpo inutilmente, retomando trevas e lágrimas de que muito dificilmente lograrão se desvencilhar.


***

Quando observes o mal, compadece-te daqueles que lhe aguentam as investidas. 


Entretanto, compadece-te mais ainda de todos aqueles que o praticam.


Os que sofrem de consciência tranquila estão ampliando o campo da alegria e da bênção nos domínios da própria alma. 


Os que estendem o mal, porém, não suportaram a si mesmos. 


E, como que fazendo explodir os conflitos que acumularam por dentro deles próprios, aniquilam benditas possibilidades da vida para cujo reajustamento serão necessariamente compelidos a lutar e recomeçar.



As Quedas Morais 

(Nota referente ao texto acima)


Ao enviar-nos a mensagem abaixo, informa-nos Chico Xavier que ela foi psicografada em reunião de estudos em Uberaba, da qual participavam numerosos visitantes de outras cidades. 


E esclarece:


“Antes das tarefas habituais, o problema das quedas morais foi o tema dominante das conversações dos nossos visitantes. 


Alguns casos de suicídio e criminalidade preocupavam grande parte dos amigos e perguntas diversas surgiam sobre o assunto. 


Por que o abandono de compromissos solenemente assumidos por pessoas claramente instruídas ou claramente normais do ponto de vista humano? 


Por que existem filhos que fogem dos pais e vice-versa? 


Por que certas criaturas começam com tanto entusiasmo o serviço do bem e, de um momento para outro, deixam a obra iniciada, sem maior consideração para com os outros? 


Por que o suicídio de pessoas indiscutivelmente respeitáveis?”


“ Depois de aberto o horário para os nossos estudos e após a prece inicial„“ O Livro dos Espíritos”, consultado ao acaso, ofereceu-nos a questão n.º 171, em conexão com o assunto dominante, e no término da reunião o nosso caro Emmanuel nos deu a página “Não Suportaram”, intitulada por ele, que passo às suas mãos, pois muitos dos nossos companheiros externaram o desejo de vê-la com os seus comentários.”


A Explosão da Caldeira

Irmão Saulo


Note-se a estrutura didática dessa mensagem. 


Primeiro, a colocação do problema do mal e de como devemos encará-lo.


Depois, a definição da responsabilidade dos culpados e a advertência de que eles caíram sob a explosão da caldeira interna dos conflitos psíquicos, vencidos na batalha moral para sufocá-los, merecendo portanto a nossa compaixão e a nossa ajuda. 


A seguir, os exemplos concretos que nos ajudam a melhor compreender o problema. 


E, por fim, a lembrança de que devemos compadecer-nos dos que praticam o mal, pois são as vítimas de si mesmos, destruidores das oportunidades que a vida lhes oferece em cada existência.


Se acrescentássemos às escolas de Psicoterapia dos nossos dias a dimensão espírita – como já o estão fazendo alguns especialistas eminentes – a causa dos desequilíbrios mentais e passionais tornar-se-ia mais acessível aos métodos de cura. 


O conceito espírita do corpo carnal como verdadeira cela em que o espírito se acha encerrado, segundo vemos nesta mensagem, implica naturalmente o conceito da reencarnação. 


Mas a limitação existencial das escolas psicológicas, agravada pelos preconceitos e pela vaidade profissional, impede essa penetração nas profundidades do espírito.


Os traumas e os recalques da alma, presentes e atuantes até mesmo nas pessoas aparentemente mais equilibradas, são comprimidos no interior da cela do corpo que se transforma numa caldeira perigosamente explosiva. 


Se não colocarmos nessa caldeira a válvula da humildade, para que ela possa aliviar a sua pressão através de uma visão mais, ampla da vida, a explosão ocorrerá, fatalmente, mais cedo ou mais tarde. 


O intelectualismo vaidoso é uma espécie de resíduo que entope a válvula natural da intuição espiritual e apressa o momento fatal. 


Nossos instintos animais, nossas ambições desmedidas, nosso orgulho ferido, nossas pretensões de supremacia aceleram dia a dia o ritmo da pressão interna.


E quando caímos ante a explosão que devíamos evitar, não somos nada mais do que as vítimas de nós mesmos. 


Os que culpam a Deus, o destino, a má sorte são vítimas teimosas, renitentes, que mesmo depois do desastre se recusam a reconhecer-lhe as causas reais. 


Pobres seres esmagados sob o peso do próprio orgulho, dos quais devemos compadecer-nos e pelos quais precisamos orar.


XAVIER, Francisco Cândido; PIRES, Herculano. Chico Xavier pede  licença.  Espíritos Diversos, Cap 37.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Atualidade Terrestre - Batuíra

 



 Atualidade Terrestre

Batuíra


Batuíra (Antônio Gonçalves da Silva), pioneiro da imprensa espírita em São Paulo, patrono do Clube dos Jornalistas Espíritas e do Grupo Espírita Emmanuel, figura de destaque na história do Espiritismo no Brasil. 


A Rua Espírita, do Lava-pés, tem esse nome em virtude de: ter sido aberta por Batuíra, que nela viveu e instalou as oficinas e a redação do jornal “Verdade e Luz”.


Meus amigos


O texto escolhido por nossos instrutores da Vida Maior recaiu na advertência do Senhor: 


– “quando derdes um festim, convidai os pobres e os estropiados”.


Vemos nisso, em nível mais alto de deduções, a penúria espiritual do mundo e as mutilações de ordem moral que enxameiam na Terra, solicitando-nos a provisão necessária de amor e luz.


Sentimos hoje, talvez como nunca, o impositivo da distribuição dos recursos imprescindíveis da alma.


Em toda parte estamos cercados por um mundo cetim de socorro e esperança.


Nos decênios últimos, milhões de companheiros da Humanidade, que gravitavam em torno da comunidade planetária, voltaram ao Plano Físico impondo ao Orbe novas perspectivas de libertação e progresso.


Esmagadora percentagem dos recém-chegados, através das portas da reencarnação, no fundo não se constitui de seres mais adiantados espiritualmente e sim de legiões imensas que aguardavam oportunidade para o retorno à experiência no lado mais denso da vida.


Isso vem criando os desníveis que conhecemos e os desequilíbrios que transparecem atualmente de quase todos os setores da atividade humana.


Estamos na residência física do Planeta assim como grande família que recebeu apressadamente e sem a devida preparação largo acréscimo de parentes que há muito tempo viviam distantes, a exigir-nos agora providências múltiplas para que consigamos todos viver, conviver e sobreviver.


É, decerto, a hora do festim da inteligência em que somos todos induzidos a cooperar com os nossos irmãos para que disponham de possibilidades básicas na existência, de modo a alcançarem os objetivos de segurança e evolução a que demandam.


Aprendemos a repartir o pão.


Atingimos o momento de estender a paciência e a tolerância.


Temos doado apoio afetivo aos entes mais caros.


Chegou o instante de exteriorizarmos o coração em forma de entendimento e de amor.


Divulgação dos nossos princípios espíritas-evangélicos, não só de maneira determinada, mas por todas as formas que se nos façam possíveis.


Iluminar os caminhos e suportar os que transitam por eles carregando desespero ou desânimo, angústia ou perturbação.


Dar as mãos aos companheiros da estrada e ouvir-lhes os doestos e injúrias, as blasfêmias e lamentações com espírito de socorro e de paz.


Trabalhemos, sim, trabalhemos sempre mais, esparzindo os conhecimentos que nos honorificam a vida pelo acréscimo da Misericórdia Divina.


Antes de tudo, tanto quanto pudermos, solicitemos a todos, ou melhor, a cada um de nós, serenidade e serviço junto daqueles amados nossos, na órbita do lar, para que a tranquilidade e a bênção nos vivifiquem no desempenho dos deveres que o Senhor nos atribui.


Os pais difíceis, o filho problema, o esposo complexo, a esposa em desequilíbrio, o companheiro enigma e todos aqueles que se nos vinculam à experiência pessoal, transformados para nós em desafios inquietantes à nossa capacidade de entender e de amar – todos eles, os que se nos apresentam na moldura da provação – se erigem como sendo os necessitados a que nos cabe servir no festim da compreensão.


Pedimos determinadas concessões a Jesus e Jesus nos solicita determinados tipos de trabalho em Sua Seara de Infinito Amor.


E essa seara começa de nossa própria casa.


Amemo-nos como Jesus nos amou.


Esta será talvez para nós todos, agora, na atualidade do Mundo, a maior mensagem.


Os Parentes Extraviados

Irmão Saulo


Que somos todos irmãos perante Deus, nosso Pai, é ponto pacífico desde o advento do Cristianismo. 


Mas para figurar a grande família humana temos de admitir os graus de parentesco.


Nossos irmãos que se extraviaram nos caminhos da reencarnação, perdendo-se nos descampados da zona etérea que circunda o Planeta, são os nossos parentes que agora estão voltando ao convívio terreno. 


Enquistaram-se no espaço em núcleos estagnados, revivendo por séculos experiências há muito superadas, no abuso do seu livre arbítrio.


 Agora, nesta fase de transição da evolução planetária, são obrigados a retornar e temos de recebê-los, dividindo com eles o pão de nossas novas experiências.


A mensagem de Batuíra confirma outras muitas mensagens recebidas no meio espírita, desde o tempo de Kardec, sobre o crescimento da população terrena. 


Mas Batuíra nos oferece algumas informações novas: são milhões os que volitaram nos últimos decênios; 

essa volta em massa nos obriga a apressar a acomodação de todos e a preparar acomodações para outros que virão; 

entre os recém-chegados, a maioria esmagadora é de espíritos necessitados de esclarecimentos; 

mas há naturalmente espíritos adiantados que vêm auxiliar-nos a acomodá-los; 

de tudo isso resulta a abertura de novas perspectivas de libertação e progresso para a vida terrena.


Estamos no “festim da inteligência” porque os pobres e estropiados que vêm agora sentar-se à nossa mesa são inteligências que anseiam por participar das conquistas que fizemos durante a sua ausência. 


Essas conquistas da nossa inteligência são partidas como o pão na mesa do banquete espiritual que estamos vivendo na Terra. 


A divulgação do Espiritismo – a mais alta conquista efetuada no Planeta – deve acelerar-se e intensificar-se por todos os meios possíveis, para que não falte a nenhum dos novos comensais a parcela de luz de que necessita.


XAVIER, Francisco Cândido; PIRES, Herculano. Chico Xavier pede  licença.  Espíritos Diversos, Cap 35.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Deus e Nós - Emmanuel



Deus e Nós

Emmanuel


Deus nos garante a vida.


Cabe a nós outros aperfeiçoá-la e engrandecê-la.


Deus nos provê de inteligência.


Respondemos pela formação da cultura.


Deus nos ilumina com a razão.


O discernimento corre por nossa conta.


Deus nos alimenta através do amor.


Obteremos sempre do amor o que fizermos com ele.


Deus suscita as circunstâncias.


De nós depende a escolha da ação para utilizá-las.


Deus cria a possibilidade.


O trabalho é obra nossa.


Deus concede o dom de falar.


A palavra nos diz respeito.


Deus espalha recursos.


Somos chamados a valorizá-los e desenvolvê-los.


Deus sugere o bem.


Está em nós o senso de concordância.


Deus cria a semente.


Temos o privilégio da plantação no cultivo do solo.


Deus nos envia o melhor que somos capazes de receber.


Aceitação ou rebeldia vertem de nós com os resultados atribuíveis a cada uma.


Deus estabelece o pensamento livre.


Detemos o poder de manejá-lo na pauta dos princípios de causa e efeito.


***

Em todos os lugares encontraremos a criatura associada ao Criador nas ocorrências da Criação.


A Divina Providência e a Humana Cooperação surgem sempre juntas em todas as realizações da vida, isso porque de Deus vem a dádiva e do Homem dimana a aplicação. 


E já que a Justiça Perfeita nos acompanha e observa em todos os passos da jornada evolutiva a lei da responsabilidade funciona em todos os climas, determinado méritos ou necessidades de toda pessoa em particular e reduzindo todas as teorias de recompensa e punição ao sábio preceito evangélico: "A cada um segundo as suas obras".


Somos Autômatos ou Livres?


Reunião de estudos em Uberaba. 


Grupos de visitantes de diversas cidades participavam do trabalho e a preocupação geral era a ideia de Deus. 


Muitas indagações, inclusive esta: 


“O homem é livre ou é um autômato perante Deus?” 


Aberto “O Livro dos Espíritos” caiu a pergunta 558, onde se afirma que os espíritos são os ministros de Deus.


Chico Xavier escreve-nos a respeito:


“Parecia-nos estar num clima de resposta às indagações de ordem geral e os comentários de nossos irmãos presentes foram muito valiosos. 


Na fase terminal o nosso caro Emmanuel escreveu, por nosso intermédio, a página, que ele próprio intitulou “Deus e Nós”, que envio ao estimado amigo na suposição de que ela possa servir às nossas reflexões, com apoio de sua, palavra.”.



As Obras do Homem

Irmão Saulo


O princípio inteligente é a matéria-prima de que somos feitos.


Esse princípio está presente e faz parte de todas as coisas e de todos os seres. 


Agindo no íntimo da matéria ele a transforma nos reinos sucessivos da Natureza. 


É o poder criador de Deus em ação incessante. 


No espírito esse poder se atualiza – passa de potência a ato – e no reino hominal (no homem) frutifica em razão e discernimento. 


Antes do reino hominal o espírito se desenvolve nos reinos inferiores, mas só no homem recebe a luz da razão.


No ventre materno e na primeira infância a criança não tem liberdade. 


É presa das leis naturais, dominada pelos instintos, controlada pelos adultos. 


Mas, quando acorda para a realidade de si mesma e do mundo, revela vontade própria e começa a investir-se da sua liberdade individual. 


Assim é o homem. 


Deus o cria do barro da terra, segundo a bela expressão bíblica, arranca-o das entranhas da matéria. 


Até que ele adquira a luz da razão, o seu crescimento é determinado pelas leis naturais. 


Mas, ao adquirir a individualidade, ele é o Adão que come o fruto da árvore da sabedoria. 


Nesse momento se desliga de Deus e passa a agir por si mesmo. 


Sua volta a Deus será agora um religar que depende dele mesmo, uma volta consciente através das suas obras.


Deus não cria autômatos, não cria robôs. 


Cria espíritos para a liberdade e a responsabilidade. 


Mas essas duas coisas devem ser conquistas do próprio espírito. 


É na vida de relação, no processo social, no mundo material e no mundo espiritual, que as obras do homem determinam a sua evolução, o seu crescimento. 


O plano imediatamente superior ao humano é o da angelitude, o dos espíritos superiores que as religiões chamam de santos e anjos. 


Ao atingir esse plano os espíritos se fazem ministros de Deus, inteligências livres e ativas, responsáveis, colaborando na obra divina. 


Mas o homem, antes de atingir esse plano, emprega a sua liberdade nas obras que realiza – pensando e agindo, criando e produzindo – “na pauta dos princípios de causa e efeito", como esclarece Emmanuel.



XAVIER, Francisco Cândido; PIRES, Herculano. Chico Xavier pede  licença.  Espíritos Diversos, Cap 34.