quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Francisco de Assis : O Menestrel de Deus - Alessandro Viana Vieira de Paula

 




Francisco de Assis : O Menestrel de Deus

 Alessandro Viana Vieira de Paula

 

Refletir sobre a trajetória de Francisco de Assis é mergulhar em uma das biografias mais belas e transformadoras da humanidade. 


Conhecido carinhosamente como o "Menestrel de Deus" — apelido carinhoso que traduz sua alma de poeta e cantor da simplicidade —, sua vida transcende os limites do tempo e das fronteiras religiosas, oferecendo lições profundas de amor, paz e renovação espiritual.

 

Com base nos registros da Doutrina Espírita e na inspiradora análise publicada na revista O Consolador (assinada por Alessandro Viana Vieira de Paula), trazemos um panorama rico e inspirador sobre este espírito sublime que iluminou a Idade Média e continua a nos guiar.

 


1. As Raízes Espirituais: De João Evangelista a Francisco


Na obra Dias Venturosos, o espírito Amélia Rodrigues, através da mediunidade de Divaldo Franco, revela que Francisco de Assis é a reencarnação de João Evangelista, um dos mais íntimos e dedicados apóstolos de Jesus.

 

O Discípulo Amado: João conviveu com o Cristo desde a juventude, escreveu um dos Evangelhos fundamentais do Novo Testamento e foi o único dos discípulos a desencarnar de forma natural.

 

A Mensagem da Reencarnação: Foi em seu Evangelho que ficou registrada a conversa entre Jesus e Nicodemos, onde o Mestre enfatiza a necessidade de "nascer de novo" — confirmando a veracidade e a importância da reencarnação na evolução humana.

 

O Retorno no Século XII: Com uma personalidade gentil e amorosa, aquele espírito de escol retorna ao mundo físico em Assis, em uma época marcada pela miséria moral e pelo distanciamento dos ensinamentos cristãos.

 



2. A Renovação do Cristianismo e o Encontro com o Papa


Naquela Idade Média, a Igreja Católica encontrava-se profundamente atrelada ao luxo temporal e indiferente ao sofrimento popular. 


Jesus, então, convidou Francisco a "reconstruir a Sua Igreja".

 

A princípio, Francisco interpretou o chamado de forma literal, dedicando-se a reerguer a igrejinha de São Damião. 


Rapidamente, porém, compreendeu o sentido maior: o verdadeiro templo a ser reerguido era o coração humano, através da prática viva da caridade e do amor ao próximo.


Renúncia Total: Renunciando à riqueza de sua família, Francisco reuniu amigos e peregrinou até o Palácio de Latrão, em Roma, para encontrar o Papa Inocêncio III. Embora tenha encontrado o pontífice imerso em pompa e diplomacia — recebendo apenas uma bênção protocolar —, isso não diminuiu seu ímpeto de servir.

 

Amor aos Desprezados e à Natureza: Francisco passou a dedicar sua existência aos marginalizados da época, como os hansenianos, e nutria uma simbiose impressionante com a natureza, amando profundamente os animais e os vegetais, que pareciam corresponder ao seu carinho.

 


3. O Método da Contestação Franciscana


Uma das lições mais atuais deixadas por Francisco de Assis, muito bem destacada pelo espírito Camilo na obra A Carta Magna da Paz (psicografia de Raul Teixeira), diz respeito à sua forma de lidar com os erros e injustiças do mundo: a contestação pelo bem.

 

Sem Violência: Francisco discordava profundamente dos rumos da sociedade e dos desvios eclesiásticos, mas nunca recorreu à violência, à crítica agressiva, ao anátema ou à acidez verbal.

 


Criar o Novo: Em vez de maldizer os ricos, ele optou por viver com os pobres. Em vez de romper violentamente com a Igreja equivocada, passou a viver em seu bojo toda a luz aprendida no Evangelho. Em vez de instigar lutas de classes, propôs condições de vida onde qualquer antagonismo perdia o sentido.

 

"Neste período de transição planetária, o vigor do exemplo pessoal, da fidelidade ao evangelho terá mais efeito do que discursos e palavras."

 


4. A Prece da Paz e o Corpo Frágil


A célebre oração atribuída a Francisco de Assis — “Senhor, faze de mim um instrumento da tua paz” — sintetiza uma decisão íntima e intransferível. 


Conforme aponta a literatura espírita, dizer "faze de mim" é um ato de voluntariado da alma, e buscar ser "um instrumento" significa somar forças coletivamente, e não se colocar como o salvador solitário.

 

Apesar de ter um corpo frágil, ter contraído malária e hanseníase, enfrentado a cegueira e severos jejuns, Francisco suportou tudo com serenidade sublime. Ao desencarnar em 4 de outubro de 1226, deixou suas últimas e marcantes palavras:

 


"Fiz o que me cabia... 

Que Cristo vos ensine o que vos cabe."

Francisco de Assis

 


Legado e Continuidade


Após sua passagem pela Terra, Francisco continuou sua abnegada tarefa no plano espiritual, auxiliando na expansão da Doutrina Espírita e integrando a constelação de espíritos nobres que patrocinaram a Codificação Espírita ao lado de seu antigo apostolado como João Evangelista.

 

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