quarta-feira, 6 de outubro de 2021

1. DESTINOS - Valérium

 


1. DESTINOS


Valérium


A árvore generosa eleva-se à beira da estrada.


Os viandantes que passam famintos e exaustos buscam-lhe os frutos.


E, no desvario de suas necessidades, atiram-lhe pedras.


Espancam-na com varas.


Sacodem-lhe os galhos.


Quebram-lhe as grimpas.


Talam-lhe as folhas.


Sufocam-lhe as flores.


Esmagam-lhe os brotos tenros. 


Ferem-lhe o tronco. 


Mas, a árvore, sem queixa nem revolta, balouçando as frondes, doa, a todos que a maltratam, os frutos substanciosos e opimos de sua própria seiva.


Esse é o seu destino.


*

Também na estrada da existência onde você vive, transitam os viajores da evolução apresentando múltiplas exigências a lhe rogarem auxilio.


E, na loucura de seus caprichos, atiram-lhe pedras de ingratidão.


Espancam-lhe o nome com as varas da injúria. 


Sacodem-lhe o coração a golpes de violência. 


Quebram-lhe afeições preciosas, usando a calúnia.


Talam-lhe os serviços com a tesoura da incompreensão.


Sufocam-lhe os sonhos nos gases deletérios da crueldade.


Esmagam-lhe as esperanças com as pancadas da crítica.


Ferem-lhe os ideais com a lâmina da ironia. 


A todos, porém, sorrindo fraternalmente, aprenda com a árvore generosa a doar os frutos do próprio esforço, sem revolta e sem queixa.


*

Espírita, não estranhe se esse é o seu destino.


Quando esteve humanizado entre nós, com amor incomum, esse foi o destino de Jesus, Nosso Mestre.



VIEIRA, Waldo pelo Espírito Valérium. Bem aventurados os simples. Rio de Janeiro: FEB,10ª ed., 1962, cap. 1.


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